VEJA: Vaqueiro que matou procuradores do DF e do RJ é condenado

As vítimas eram pai e filho e foram mortos na fazenda da família pelo próprio funcionário, em 2016. José Bonfim Alves Santana ficará 47 anos preso

A viúva e mãe das vítimas, a advogada Elizabeth Diniz Martins Souto, atuou como assistente da acusação (foto: TJMT/Divulgação)
O vaqueiro José Bonfim Alves Santana, 45 anos, foi condenado, nesta quarta-feira (7/8),  a 47 anos de prisão pelo assassinato de pai e filho, ambos procuradores estaduais. O crime ocorreu em 9 de setembro de 2016, na fazenda das vítimas, em Vila Rica, município do Mato Grosso, local onde o réu trabalhava há nove anos.
O júri popular condenou o réu pelo duplo homicídio triplamente qualificado do procurador aposentado do Distrito Federal Saint’Clair Martins Souto e do filho, Saint’Clair Diniz Martins Souto, que atuava no Ministério Público do Rio de Janeiro.  Além dos 47 anos e três meses de prisão, Bonfim cumprirá  mais um ano e meio de detenção.
“A vida toda subi na tribuna e nunca pude imaginar que já no apagar das luzes, há tantos anos de profissão, querendo parar, eu fosse fazer Justiça ao meu marido e ao meu filho”, comentou Elizabeth Diniz Martins Souto, advogada e viúva e mãe das vítimas. No julgamento, ela atua como assistente da acusação.
Na sessão, o réu se limitou a pedir desculpas aos familiares das vítimas e à população de Vila Rica. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Mato Grosso, Bonfim teria planejado os assassinatos após as vítimas desconfiarem que o gado da fazenda estaria sendo roubado. O funcionário negociava ilegalmente os bens das vítimas, se apropriando dos valores obtidos com a venda, o que teria motivado o crime.
Os investigadores apuraram que das 700 cabeças adquiridas em 2015, apenas 89 ainda estavam na fazenda na época do crime. Além disso, o padrão de vida e movimentações bancárias do funcionário eram incompatíveis com a renda lícita como gerente da fazenda. Bonfim confessou o crime e detalhou os fatos.
Saint’Clair pai foi morto com três tiros nas costas, enquanto cavalgava pelo pasto. Após atirar, o vaqueiro foi ao encontro do filho do patrão, afirmando que o idoso havia caído do cavalo. O homem foi até o local e, ao descer para tentar ajudar o pai, foi atingido por trás com dois tiros e um último, disparado de cima para baixo.
O criminosos deixou os cadáveres das vítimas no local dos fatos, distante mais de um quilômetro da sede da fazenda, de difícil acesso, com vegetação e localizado em nível mais baixo, de forma a esconder os corpos e evitar que os homicídios fossem descobertos. Os corpos só foram encontrados por indicação de Bonfim.
O vaqueiro simulou, ainda, que as vítimas haviam retornado para casa com conhecidos e que caberia a ele dirigir o veículo e entregá-lo ao patrão. Bonfim fugiu após queimar as malas e roupas das vítimas, se desfazer dos documentos e celulares e movimentar o carro da vítima por dois dias, estacionando em locais diferentes. Ele foi encontrado em Tocantins em 13 de setembro e foi preso em flagrante, portando um revólver, além de 36 munições e mais de R$ 5 mil em espécie.

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