Março Azul: câncer colorretal pode ser prevenido com a adoção de hábitos saudáveis
Notícia 02/03/2026 às 14h26

Março Azul: câncer colorretal pode ser prevenido com a adoção de hábitos saudáveis

Todos os anos, a campanha Março Azul conscientiza a população sobre o câncer de intestino — também denominado câncer colorretal — , uma doença prevenível, mas que demanda bastante atenção. Em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença deve acometer mais de 53 mil pessoas no Brasil.

Arte: Agência Saúde-DF

“É importante fazer consultas médicas regularmente, em especial após os 45 anos”

Gustavo Ribas, chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer da SES-DF

Trata-se do terceiro tipo de neoplasia (tumor) mais frequente e a segunda maior causa de mortes por câncer no mundo. Uma das razões por que a doença é tão perigosa está no fato de ela, em seu início, não apresentar sintomas.

No entanto, podem ocorrer sinais como presença de sangue nas fezes, cólica e desconforto abdominal, dores ao evacuar, alteração do hábito intestinal (alternância entre diarreia e prisão de ventre), falta de apetite, anemia e perda de peso sem uma causa aparente.

Gustavo Ribas, chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan) da Secretaria de Saúde (SES-DF), lembra que a adoção de hábitos saudáveis tende a diminuir substancialmente o risco de morte pela doença.

“A prevenção é especialmente relevante em campanhas como o Março Azul”, afirma o gestor. “São ações simples, como ter uma dieta saudável, com alimentação balanceada e rica em fibras, manter o controle do peso, realizar atividades físicas, evitar o consumo de carnes processadas e álcool, evitar o tabagismo. Também é importante fazer consultas médicas regularmente, em especial após os 45 anos.”

Ribas reforça que a porta de entrada preferencial para os serviços da SES-DF são as unidades básicas de saúde (UBSs). A partir da primeira consulta, é solicitado o exame de sangue oculto nas fezes, e, em caso positivo, o paciente é encaminhado para o serviço especializado dentro da rede de atenção para uma investigação mais aprofundada, por meio da colonoscopia.

Em 2025, no âmbito da saúde pública do DF, foram registrados 4.414 exames de sangue oculto. O montante equivale a um aumento de quase 20% em relação a 2024 e de mais de 286% em relação a 2023, quando foram feitos 3.695 e 1.141 exames, respectivamente.

Grupos suscetíveis

Alguns dos principais fatores de risco são idade acima de 45 anos, sedentarismo, excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade), abuso de álcool, tabagismo e maus hábitos alimentares — como o baixo consumo de fibras (verduras, leguminosas e frutas) e uma alta ingestão de carnes processadas, comumente conhecidas como embutidos (salsicha, bacon, presunto, peito de peru etc.). Comer carne vermelha em excesso — mais de 500 gramas por semana — é outro motivo atribuído a maiores chances de desenvolver o câncer colorretal.

A probabilidade é mais alta também em pacientes com histórico familiar de câncer na região. São mais suscetíveis, ainda, pessoas com síndromes inflamatórias do intestino (como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn) há mais de dez anos, ou que tenham certas doenças hereditárias, tais como a polipose adenomatosa familiar (FAP) e o câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC).

Outro fator de risco consiste na exposição ocupacional à radiação ionizante (como raios-X e gama). Isso envolve principalmente profissionais da radiologia médica, forense e industrial, que devem ter cuidados redobrados ao exercer suas atividades e realizar exames de rotina com mais frequência.

*Com informações da Secretaria de Saúde