A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) recebeu, na última quinta-feira (23), na sede da Pasta, o delegado da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (Dciber) da Polícia Federal (PF), Thiago Medeiros, para uma palestra sobre o tema relacionado à violência sexual contra crianças e adolescentes. A ação faz parte do programa Guardiões da Infância, fruto da parceria firmada entre a SEEDF e a PF, que já alcançou 3.500 estudantes e cerca de 1.000 professores da rede pública de ensino.
Organizado pela Assessoria Especial de Cultura de Paz nas Escolas da SEEDF, o evento lotou o auditório Neusa França com profissionais da educação que buscam capacitação sobre o assunto para estarem cada vez mais preparados para lidar com situações que envolvam bullying, cyberbullying, violência sexual, entre outros crimes cibernéticos ou não.
Presente na abertura do evento, a secretária de Educação do DF interina, Iêdes Braga, destacou a importância da formação. “Nós precisamos estar atentos às condições do bullying, que não acontece só nas escolas, acontece em todos os espaços. A gente vive um momento em que o cyberbullying tem sido um grande vilão na vida dos nossos estudantes. Precisamos usar as redes sociais de forma consciente”.
Atenta à movimentação relacionada aos casos de bullying e cyberbullying nas escolas, a chefe da Assessoria Especial de Cultura de Paz, Ana Beatriz Goldstein, reforça a importância de falar sobre o tema principalmente no primeiro semestre.
“O bullying e o cyberbullying são os maiores casos de violência que nós temos dentro do ambiente escolar, especialmente quando se tem o abandono digital, no qual os estudantes ficam muito tempo nas redes sociais. Verificamos também um aumento dessas situações de violência no início do ano, em março e abril. Então, intensificamos nossas ações no semestre inteiro com a parceria da Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Batalhão Escolar, Anatel, para trabalhar segurança nas redes”, salientou.
Acompanhamento e identificação de sinais
O abandono digital refere-se a uma forma de negligência dos responsáveis, marcada pela falta de cuidado, proteção e orientação dos filhos no ambiente online. Quando crianças e adolescentes têm acesso livre e excessivo aos conteúdos da internet, sem o devido acompanhamento dos pais nesse universo digital, podem ser expostos a situações de risco e vulnerabilidade.
Portanto, o intuito da palestra concedida pelo delegado da Polícia Federal, Thiago Medeiros, é capacitar educadores em relação à temática da violência sexual infantojuvenil, perfis e sinais identificadores do abuso, bem como quanto à atuação em âmbito escolar e quais procedimentos a serem adotados no caso de suspeita de abuso sexual (abrangendo tópicos de segurança online e offline).
Segundo dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, a cada 100 mil habitantes, 41,2 já foram vítimas de estupro de vulnerável, e 80% dessas vítimas são menores de 18 anos. Um dos dados mais impressionantes é que 84,7% dessas pessoas foram abusadas por pessoas conhecidas ou familiares.
Uma das espectadoras da palestra, a servidora da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica (Unigaeb), Natalia Acioly, comentou. “A escola é um lugar onde tudo eclode, inclusive esses problemas sociais, de abuso infantil, tudo aparece dentro da escola, é o primeiro refúgio que a criança tem, depois do seu convívio mais direto com seus familiares, então, geralmente, ela procura um professor, alguém da escola para tentar ajudá-la a sair dessa situação”.