Divas no Digital capacita mulheres em situação de vulnerabilidade como empreendedoras nas redes sociais
Notícia 15/03/2026 às 16h38

Divas no Digital capacita mulheres em situação de vulnerabilidade como empreendedoras nas redes sociais

No mês dedicado às mulheres, uma iniciativa voltada à inclusão digital e ao empreendedorismo feminino transforma o acesso à tecnologia em ferramenta de autonomia. No Riacho Fundo II, o projeto Divas no Digital, desenvolvido por meio de parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e o Instituto Stefano Fumasoli, oferece capacitação gratuita para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Cursos reúnem, atualmente, 50 mulheres, que assistem a aulas ministradas nos períodos vespertino e noturno | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília

“Nossa missão é conectar o talento dessas mulheres às oportunidades reais da economia digital”

Samara Araújo, subsecretária de Inovação, Capacitação e Inclusão Digital 

Atualmente, 50 mulheres entre 14 e 60 anos participam das aulas, divididas em duas turmas: uma no período vespertino, das 14h às 18h, e outra no noturno, das 19h às 21h.

Durante o curso, as participantes têm acesso a conteúdos de marketing digital, gestão de redes sociais e inteligência artificial, com foco na aplicação prática para impulsionar pequenos negócios e iniciativas empreendedoras.

Capacitação

Para a subsecretária de Inovação, Capacitação e Inclusão Digital da Secti-DF, Samara Araújo, iniciativas como essa contribuem para ampliar a participação feminina na economia digital e fortalecer o empreendedorismo local. 

“Nossa missão é conectar o talento dessas mulheres às oportunidades reais da economia digital”, afirma. “Ao oferecer formação gratuita em marketing, branding e gestão de redes sociais, estamos injetando mão de obra qualificada no mercado e fomentando o empreendedorismo feminino local. Com 240 vagas totais, o projeto fortalece o ecossistema de inovação do DF, garantindo que o desenvolvimento econômico da nossa região seja inclusivo e chegue a quem mais precisa.”

Janaína Braga, presidente do Instituto Fumasoli, mantém o foco nas condições das mulheres atendidas: “No projeto de marketing digital, vemos a importância de utilizar as redes sociais, porque a maioria das alunas tem dificuldade de sair para trabalhar fora de casa”

Há 16 anos, o projeto desenvolve capacitação profissional e apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Segundo a presidente do Instituto Fumasoli, Janaína Bezerra Amaral Braga, a proposta é oferecer ferramentas que permitam às mulheres ampliar a renda e conquistar maior autonomia financeira, principalmente no caso daquelas que já empreendem ou têm dificuldade de trabalhar fora de casa. Ela afirma que, desde a criação do projeto, mais de 20 mil pessoas já passaram pelas atividades promovidas pela instituição.

“Nós capacitamos mulheres que sofrem violência doméstica com vulnerabilidade social”, aponta. “No projeto de marketing digital, por exemplo, vemos a importância de utilizar as redes sociais, porque a maioria das alunas tem dificuldade de sair para trabalhar fora de casa. E são vendedoras, empreendedoras individuais, então é uma maneira de elas conseguirem ter um alcance maior para vender o seu produto.”

Crescimento profissional

A cantora de forró Cília Rezende procurou o curso para aprimorar as formas de divulgar seu trabalho: “Agora eu posto um vídeo e as pessoas já estão me procurando com mais facilidade”

Nas aulas, as participantes aprendem desde conceitos básicos e até estratégias para divulgar produtos e serviços na internet. O curso inclui orientações sobre público-alvo, criação de conteúdo, produção de vídeos e edição para redes sociais.

A professora Jully Teixeira explica que muitas alunas chegam com ideias de negócios, mas sem saber como utilizar as plataformas digitais para divulgar o trabalho.

“Aqui temos muitas mulheres empreendedoras que não têm conta no Instagram, não sabem fazer uma vitrine do negócio online, então nas aulas a gente ensina um pouco sobre encontrar o público-alvo, montar roteiro de vídeo, o que postar e o que não postar”, explica. “A gente montou o Instagram das meninas e agora estamos aprendendo a editar os vídeos que elas mesmas filmaram”.

De acordo com a professora, ao longo das aulas também é possível perceber mudanças na confiança e na motivação das participantes, que passam a enxergar novas possibilidades de crescimento para seus empreendimentos: “Elas chegam bem perdidas, mas com o passar do tempo já começaram a ficar mais animadas, ter ideias de conteúdos e tudo, porque a gente vai trabalhando a criatividade também. Elas vão começando a confiar mais no negócio próprio delas”.

Entre essas alunas está a aposentada Cília Rezende, de 65 anos. Cantora de forró, ela buscou o curso para aprender a divulgar melhor o próprio trabalho nas redes sociais. “Eu tenho Instagram, mas não sou muito boa em tecnologia”, afirma.

“Quando surgiu o curso, foi minha oportunidade”, comemora. “Já é a segunda semana de aula e eu já estou sabendo puxar no vídeo, editar e jogar nas redes sociais. Agora eu posto um vídeo e as pessoas já estão me procurando com mais facilidade.” A autoestima, complementa ela, também aumentou com o curso, com um ambiente feminino e acolhedor.