Startup apoiada pela FAPDF cria rede de apoio para mulheres em viagens
Notícia 02/05/2026 às 20h01

Startup apoiada pela FAPDF cria rede de apoio para mulheres em viagens

Viajar sozinha ainda é, para muitas mulheres, uma experiência atravessada pelo medo. A insegurança, a falta de informação confiável e a ausência de redes de apoio fazem com que, muitas vezes, o desejo de explorar novos lugares seja deixado de lado. É nesse contexto que surge a startup Sutiãs que Voam, iniciativa brasiliense apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do programa Start BSB (Eixo I, fase de ideação) e executado pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que propõe uma nova forma de pensar o turismo: mais segura, mais conectada e orientada pelas necessidades reais das mulheres.

Idealizada pela empreendedora Juliana Ferreira, a solução nasce de uma experiência pessoal e se transforma em uma ideia coletiva de cuidado, conexão e autonomia. A proposta é direta: permitir que mulheres viagem com mais tranquilidade e liberdade, a partir de roteiros verificados por outras mulheres, conectando viajantes a empreendedoras locais e criando uma rede baseada em confiança.

A startup foi idealizada pela empreendedora Juliana Ferreira | Foto: Divulgação/FAPDF

Quando a experiência pessoal encontra uma solução coletiva

A ideia surgiu durante um intercâmbio de doutorado, quando Juliana se viu sozinha na Europa e precisou lidar com situações de vulnerabilidade que evidenciaram um problema maior: o turismo ainda não está preparado para acolher mulheres de forma plena. “Hoje, existem muitas plataformas de turismo, mas poucas consideram, de fato, as necessidades das mulheres, especialmente em relação à segurança e ao acolhimento", diz. 

A percepção de que esse não era um caso isolado, mas uma realidade compartilhada, foi o ponto de virada para transformar a experiência pessoal em um negócio estruturado. Mais do que facilitar viagens, o projeto nasce com um propósito claro: transformar vulnerabilidade em autonomia.

Uma rede de proteção com tecnologia e segurança

Na prática, o Sutiãs que Voam funcionará como uma plataforma digital colaborativa que conecta viajantes a uma rede de prestadoras de serviço formada majoritariamente por mulheres — como guias, motoristas, fotógrafas, artesãs e anfitriãs locais. A solução atua em duas frentes: amplia a segurança de quem viaja e, ao mesmo tempo, fortalece o trabalho de empreendedoras locais, promovendo visibilidade, geração de renda e profissionalização.

Além das viajantes solo, a proposta também considera outras realidades frequentemente negligenciadas pelo setor, como mulheres que viajam com filhos — incluindo crianças com necessidades específicas — e pessoas que desejam viajar acompanhadas de seus pets.

Os roteiros são construídos a partir de uma lógica de curadoria colaborativa, que envolve indicação local, validação técnica e avaliação contínua pelas próprias usuárias, criando um ambiente baseado em validação coletiva e experiências compartilhadas. “Não se trata apenas de organizar informações, mas de construir um ambiente confiável onde a viajante se sente amparada desde o planejamento até a experiência", conta Juliana. 

A plataforma incorpora mecanismos estruturados, como pagamentos realizados diretamente pelo sistema, tecnologias de detecção de comportamentos suspeitos, canal de denúncias e suporte contínuo ao longo da jornada. Outro diferencial está no sistema de verificação das prestadoras, organizado em múltiplos níveis, que inclui análise documental, checagem de antecedentes, validação técnica e, em alguns casos, visitas presenciais, garantindo maior confiabilidade para quem utiliza o serviço.

Para a usuária, a experiência é simples: navegar por roteiros verificados, realizar a reserva pela plataforma, receber as informações da viagem e vivenciar a experiência com mais tranquilidade.

“Hoje, existem muitas plataformas de turismo, mas poucas consideram, de fato, as necessidades das mulheres, especialmente em relação à segurança e ao acolhimento"

Juliana Ferreira, idealizadora da startup

Um problema real e um impacto que vai além da viagem

A proposta dialoga diretamente com um movimento crescente no mundo: o aumento das viagens solo femininas e a busca por experiências mais personalizadas e com propósito. Segundo dados do projeto, o turismo representa cerca de 7,8% do PIB brasileiro, e há uma demanda crescente de mulheres interessadas em viajar — mas que ainda encontram barreiras estruturais.

O problema, portanto, não é falta de interesse, mas de oferta qualificada. “Ao mesmo tempo em que proporciona mais segurança para quem viaja, também fortalece economicamente mulheres que atuam nos territórios locais", destaca a idealizadora da iniciativa. 

Do Distrito Federal para uma rede global de mulheres

Com lançamento previsto para este ano, a fase inicial prioriza a validação da proposta e a construção de confiança, com previsão de operação inicial baseada em roteiros verificados e parcerias locais. A estratégia prevê a expansão gradual para outras regiões do Brasil, respeitando as especificidades culturais de cada território e mantendo a lógica de curadoria colaborativa.

A expectativa é que a plataforma alcance escala nacional e, futuramente, internacional, consolidando uma rede de apoio entre mulheres viajantes. O programa contribui com suporte técnico, estratégico e institucional, fundamentais para transformar uma experiência individual em uma solução estruturada e com potencial de escala.

 

*Com informações da FAPDF